Dinâmica do Meio-Campo (Atlético-MG de Cuca)

Analisando o jogo entre Atlético-MG e Cerro Porteño, vencido pelo Galo por 4 a 0, a dinâmica do meio-campo me chamou muito a atenção.

Tchê Tchê, Nacho Fernández e Allan (Jair no segundo tempo), foram dominantes na principal região do campo. Tanto na hora de atacar quanto na hora de defender.

Mas como funcionou o meio-campo do Galo nessa partida?

Dinâmica do Meio-Campo

Primeiramente, é necessário falar sobre o posicionamento base. Os três meio-campistas do Galo se organizavam no famoso triângulo. Tchê Tchê e Nacho mais avançados, Allan (ou Jair) mais recuado.

Dinâmica do Meio-Campo
Triângulo do Meio-Campo.

Mas o que fez toda a diferença foi o comportamento dos jogadores. As decisões, as movimentações, as táticas executadas. Tudo isso fez com que o Galo dominasse a partida do começo ao fim.

Mesmo nos momentos onde o time não teve a bola, conseguiu se defender bem. Assim, não cedeu grandes chances ao Cerro.

Força no Primeiro Combate

Com Tchê Tchê e Nacho avançados o primeiro combate se fortalece. Ter jogadores com mais pegada de marcação na primeira linha favorece a marcação pressão e o perde pressiona.

Além disso, mesmo com o time marcando recuado, o Atlético tira a liberdade que o adversário poderia ter no corredor central. Uma vez que eles estão sempre avançando para pressionar o portador da bola.

Isso só é possível porque Tchê e Nacho podem avançar e manter a bola coberta, sem priorizar o espaço entre as linhas.

Mas Quem Cobre o Espaço Entrelinhas?

Então, é necessário uma compensação no posicionamento. Dessa maneira, os meio campistas podem ter carta branca para avançar.

No caso do Atlético de Cuca, essa responsabilidade de neutralizar o espaço entrelinhas, é do volante (Jair ou Allan nessa partida), e da própria linha defensiva.

Neutraliza Espaço Entrelinhas
Tchê Tchê e Nacho mais avançados e o mecanismo de cobertura em ação.

Zagueiros e laterais promovem o encaixe de marcação individual de forma coordenada. O objetivo é anular as opções de passe para frente do adversário.

Mesmo que isso signifique quebrar as linhas e desfazer o desenho defensivo. Ou seja, a aposta passa a ser nos confrontos individuais.

Enquanto o volante está sempre pronto para dobrar a marcação nesse espaço. Aliás, nessa partida esse mecanismo foi impecável.

O Benefício do Caos

Uma das grandes vantagens de ter dois meio campistas avançados, é que ao recuperar a bola, o contra-ataque está armado.

Portanto, toda vez que esse mecanismo de cobertura funcionava, o Galo recuperava a bola, e os defensores já procuravam a conexão com o ataque.

Nacho Fernandez Contra-Ataque
Nacho atacando a linha defensiva adversária.

Sobretudo, essa verticalidade só foi possível pelo posicionamento inicial dos meio-campistas.

Então, aproveitando o posicionamento, a velocidade, e a técnica dos seus meio-campistas, o Atlético se beneficiava pegando a defesa do Cerro bagunçada.

Fluidez Ofensiva

Mas não só de contra-ataque vive o Galo de Cuca. A aproximação dos meio campistas junto aos atacantes, rendeu outra excelente alternativa.

Mesmo quando encontrava o adversário bem postado, o Galo criava jogadas. A alternativa foi a tabela de três jogadores.

Tabela de Três Jogadores
Aproximação dos meio-campistas e atacantes.

Essa jogada rendeu excelentes oportunidades ao Atlético-MG. Inclusive dois gols.

Você pode ver essa análise em vídeo no YouTube, clicando aqui.

Grande abraço e até a próxima!

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