Como o Aston Villa Dominou o Manchester City

O Aston Villa simplesmente dominou o Manchester City. Inclusive o placar de 1 a 0 não ilustra o tamanho da superioridade que os comandados de Unai Emery tiveram sob os de Pep Guardiola.

Para entender o tamanho do domínio basta ver a quantidade de finalizações: o City finalizou apenas 2 vezes contra 22 do Aston Villa.

Aliás, as vantagens do Aston Villa se consolidaram em diferentes situações da partida. Desde a construção na saída de bola, passando pelas jogadas de ataque, até o funcionamento do sistema defensivo.

Em outras palavras, o plano de jogo de Unai Emery foi praticamente impecável.

Então, nesse artigo vamos analisar todos os cenários da partida, e desvendar como o Aston Villa conseguiu essa brilhante façanha diante de sua torcida.

Boa leitura!

Aston Villa Domina o City do Início ao Fim

O plano de jogo funcionou bem desde o início. Isso contribuiu para aumentar a confiança do time da casa, da torcida, e de quebra ainda minava a do seu adversário.

Abaixo temos o gráfico de Eficiência Estratégica Geral. Observe que não estamos diante de um jogo resolvido em uma bola. Afinal, o Aston Villa teve ao menos outras 6 grandes oportunidades de marcar.

Definitivamente o 1 a 0 acabou saindo barato para o Manchester City.

Inclusive, as chances claras de gol aconteceram em diferentes situações. Ou seja, teve oportunidade de bola parada, de contra-ataque, ataque posicional, e claro, a maior vantagem do time: as construções rápidas da defesa.

Vamos abordar cada uma dessas vantagens ofensivas ao longo do texto. Mas note que esse gráfico não mostra somente a força de ataque do Aston Villa, mostra também a força da defesa.

A equipe cedeu uma única chance clara de gol, e tratando-se do City esse é um fato raro.

Estratégia Para Escapar da Pressão do City

Como não poderia ter sido diferente, a cada saída de bola do Aston Villa o Manchester City avançava seu bloco de marcação para pressionar. No entanto, Unai Emery armou muito bem sua saída de bola.

Mas qual era o plano nesse cenário?

O primeiro passo era criar espaço à frente da intermediária do seu próprio campo. Abrindo com 6 ou 7 jogadores mais recuados, e mantendo 3 ou 4 espetados na linha defensiva.

Então, os homens de frente iniciavam espetados na linha defensiva, mas recuavam para receber em vantagem posicional.

Essa dinâmica eliminava praticamente 6 jogadores do City, além de expor a linha defensiva desfeita ao tentar encaixar a marcação nos jogadores que recuavam.

O segundo passo era colocar o Bailey para correr. As quatro transições mais perigosas aconteceram dessa maneira.

Aliás, a grande atuação do Ederson foi responsável pelo placar não ter sido mais elástico.

Já o time da casa teve como destaques McGinn e Bailey nesse cenário específico. O primeiro por encontrar o espaço entre as linhas do City. O segundo por ter consciência de que quando a bola chegasse era ele quem deveria arriscar.

O gráfico abaixo mostra o que aconteceu em cada um dos duelos nas saídas de bola do Aston Villa. Em vermelho as saídas que funcionaram, e em azul as pressões do City que foram bem sucedidas.

Saída de Bola (Aston Villa)

Por essa linha do tempo, podemos facilmente perceber o potencial da saída de bola. Além de uma chance clara no início da partida, o gol da vitória também nasceu de uma construção rápida.

Não preciso nem dizer que o gol foi do Bailey.

Mas esse era apenas um dos pontos importantes do plano de jogo de Unai Emery que foram se revelando ao longo do jogo.

Meia Pressão Altamente Arriscada

Outro ponto importantíssimo do plano de jogo de Emery foi saber defender as saídas de bola do Manchester City.

Para isso o Aston Villa alternou entre momentos de pressão alta, e outros de meia pressão. Mas sempre com alto nível de concentração, e todos os jogadores muito conscientes do que fazer em cada situação.

Na maior parte do tempo a equipe adotou a meia pressão, que partia da intermediária de ataque. O detalhe é a linha defensiva bem avançada. O que compacta o bloco, reduz o espaço entre as linhas, mas oferece o espaço nas costas.

Aston Villa - Meia pressão com linha defensiva alta

A imagem acima é perfeita para ilustrar como o Aston Villa executava sua meia pressão. Com a linha defensiva bem avançada, o espaço entre as linhas (que o City tanto gosta de explorar) praticamente não existe.

Dessa forma o Aston Villa oferecia uma saída para o City: o lançamento. E sabendo o que o City faria, a equipe se preparava para essa jogada.

Então, a defesa mudava o perfilamento a qualquer indício de que o portador faria o lançamento, se preparando para correr para trás e proteger a profundidade.

Aston Villa Sufoca a Saída de Bola do City

Mas a pressão alta também foi bastante eficiente. Nesses casos o Aston Villa mudava o posicionamento. A imagem abaixo ilustra bem esse posicionamento quando a equipe tentava sufocar o City.

Aston Villa pressionando alto

Os pontas da inversão fechavam para o meio, virando meio-campistas, dando liberdade aos dois volantes para estarem sempre próximos da jogada, fortalecendo a pegada de marcação.

Além disso, os atacantes sempre recuavam para cortar a bola atrasada (outra coisa que o City usa muito para enfraquecer a pressão adversária), forçando o portador a jogar para frente, ou prender a bola e sofrer a dobra de marcação.

O gráfico abaixo ilustra como a pressão do Aston Villa funcionou bem.

Saída de Bola (Man City)

Talvez essa seja uma das linhas do tempo mais expressivas dessa partida. O gráfico mostra uma das poucas partidas onde a saída de bola do City foi inferior à marcação alta de seu adversário.

A eficiência das linhas altas do Aston Villa, contra uma das melhores saídas de bola do mundo, foi impressionante.

Isso porque a equipe não só impediu as jogadas de construção rápida do City, como também recuperava com o adversário exposto e contra-atacava. Como é o caso do lance acima, onde o McGinn quase marca após uma pressão bem feita.

O Sistema Defensivo em Bloco Baixo

A melhor definição para esse ponto do plano de jogo do Aston Villa é: simples e eficiente. Não que isso tenha sido fácil de ser executado.

O desenho defensivo base era o 442, como você pode ver na imagem abaixo. Era dessa maneira que o Aston Villa se posicionava no primeiro tempo.

Aston Villa em Bloco Baixo no 442

No entanto, na segunda etapa algumas alterações aconteceram. Mas isso está relacionado muito mais a como o City passou a jogar, do que propriamente uma mudança no plano inicial.

Portanto, a organização da segunda etapa foi mais uma resposta ao comportamento dos visitantes, do que uma mudança de proposta do mandante.

A mudança aconteceu especificamente pelo comportamento do Walker, que passou a fazer a função de ponta quando o City chegava ao ataque.

Aston Villa em Bloco Baixo no Segundo Tempo

Então, se na pressão alta o McGinn fechava como um meio-campista, em bloco baixo ele virava um segundo lateral, evitando que o City criasse superioridade numérica pelo lado.

Assim, o camisa 7 do Aston Villa foi um dos principais jogadores de defesa, mesmo a princípio estando posicionado como um ponta esquerda.

Esse é apenas mais um caso de como atletas versáteis criam diferentes vantagens, e acabam sendo a inevitável evolução do futebol.

Man City Sem Suas Principais Armas

Outro fato inédito é que o City acabou a partida com o menor número de tentativas de infiltração até aqui na temporada.

Ataque Posicional do City - Qualitativo

Isso porque, principalmente em bloco baixo, o Aston Villa espremia o espaço entre as linhas. Dessa maneira, as jogadas de infiltração do City não eram iniciadas.

Até por isso, mesmo no ataque posicional, você nota uma expressiva quantidade de jogadas de profundidade. Em outras palavras, eram os lançamentos que sobravam para o City arriscar nesta partida.

E nos poucos momentos onde o time conseguia escapar da marcação e encontrar espaços para suas principais jogadas, os erros de execução comprometeram qualquer esboço de reação.

Verdade seja dita, o City não estava em seus melhores dias.

Além de desfalques importantes, como o de Rodri (sem mencionar o lesionado De Bruyne), jogadores titulares tiveram atuações técnicas bem abaixo da média.

Como foi o caso de John Stones e Bernardo Silva, pilares da construção do City. O que acabava dificultando ainda mais as saídas de bola e os ataques posicionais.

Rico Lewis não deu conta do recado, e o City virou presa fácil para o esquema do Aston Villa.

Aston Villa Consolida Suas Vantagens

Como você pode perceber ao longo do texto, o domínio do Aston Villa sobre o Manchester City exigiu um plano de jogo completo.

Apenas um sistema defensivo sólido não seria suficiente para incomodar o City. A grande sacada de Unai Emery foi saber como explorar as brechas do City, considerando as características dos jogadores que ele tinha à disposição.

O duelo entre diferentes tipos de saídas de bola e marcações pressões sempre rende excelentes estudos.

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Nesta partida, o Aston Villa levou vantagem tanto na saída de bola, quanto na marcação pressão.

Isso não apenas matou o volume de jogo do City, como rendeu excelentes chances claras de gol ao Aston Villa.

Grande abraço e até a próxima!

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Raul Ando
Raul Ando. Analista de futebol profissional. Apaixonado por táticas e estratégias de jogo. Produtor de conteúdo no Categoria Canal, Futebol Cursos e Núcleo de Análise Tática.
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